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05/04/2023

Comunicado público sobre o Ecoparque do Atlântico

Enviado à imprensa local, regional e nacional em 03-04-2023.

O MEL - Movimento Espaços Livres* congratula-se com a recente notícia segundo a qual o parque tecnológico Gaia Innovation City, previsto para os terrenos anteriormente ocupados pelo parque de campismo da Madalena, não vai afinal avançar.

O MEL entende que um tal projeto não iria servir eficazmente as populações da Madalena e de Vila Nova de Gaia, mas sim contribuir para uma redução das áreas verdes do concelho e para um incremento da impermeabilização do solo, em troca de valências de utilidade duvidosa.

O MEL acrescenta que vê com contentamento, ainda que com alguma precaução, o projeto de ecoparque que irá substituir o projeto do parque tecnológico. Embora faltem ainda muitos detalhes, o MEL entende que um ecoparque no antigo parque de campismo da Madalena será de uma utilidade incomparavelmente superior para os gaienses.

No imediato, o MEL propõe que a autarquia abra ao público, no mais curto espaço de tempo possível, os terrenos do antigo parque de campismo da Madalena. O MEL recorda que se trata das poucas zonas florestadas que restam na costa de Gaia, providenciando sombra e sossego, principalmente quando as temperaturas sobem, onde todas as pessoas poderiam voltar a usufruir de zonas florestadas à beira-mar. 


Por fim, o MEL realça a necessidade de, no âmbito novo projeto do ecoparque, (1) se proceder de facto à já anunciada alteração do PDM, (2) se repensar a utilização do espaço para o festival Marés Vivas ou eventos semelhantes, não compatíveis com o conceito de ecoparque, e (3) se protegerem os vestígios arqueológicos da Estação Paleolítica do Cerro ali situados.

 

Movimento Espaços Livres

 

* Movimento que integra os seguintes coletivos: ACER – Associação Cultural e de Estudos Regionais, Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta – MUBi, Campo Aberto – associação de defesa do ambiente, Clube UNESCO da Cidade do Porto, Grupo pela Preservação do Parque da Lavandeira – Gaia, Movimento Peticionário Rua Régulo Megauanha, Movimento Peticionário por um Jardim Ferroviário na Boavista, NDMALO GE – Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro Grupo Ecológico, Tree Talk Gaia – Movimento pela Preservação de Espaços Verdes em Gaia Litoral

21/07/2022

Carta Aberta – Por mais árvores nas ruas do Porto e de Vila Nova de Gaia

Nos últimos dias, Portugal tem passado por uma onda de calor. Em diversos pontos do país as temperaturas ultrapassaram os 45ºC. Na cidade do Porto, os termómetros registaram 37ºC de temperatura máxima. De acordo com os especialistas em clima, este é um fenómeno que se repetirá nos próximos anos, de forma mais frequente e mais intensa. Não existem soluções mágicas para o contrariar. Mas existem opções para minorar os efeitos destas ondas de calor. Uma delas é simples e reconhecida juridicamente (lei 59/2021, art.º 19.º, alínea c): plantar árvores.

Segundo a arquiteta paisagista Ana Luísa Soares, diretora do Jardim Botânico da Ajuda, nas ruas mais arborizadas de Lisboa é possível notar uma redução de 5 graus Celsius em relação a outras artérias mais expostas aos raios solares. Esta é uma das razões que a levou a concluir que os benefícios da plantação de árvores nas cidades superam os seus custos 4.5 vezes.

Nas cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia, são poucas as ruas que se podem considerar verdadeiramente arborizadas, oferecendo sombra, frescura e redução de calor aos seus cidadãos e visitantes. Qualquer transeunte, trabalhador, estudante, turista que caminhe pelas suas ruas nota facilmente o défice de árvores, o excesso de carros,  a omnipresença do ruído, a ausência do chilrear dos pássaros, a falta de sombra e frescura, o predomínio do ar quente e poluído. E isto não é de agora.

Ilustram bem esta situação artérias emblemáticas destes concelhos. No Porto, a avenida dos Aliados, que, excetuando umas pequenas filas de árvores na praça General Humberto Delgado e na praça da Liberdade, está constantemente exposta ao Sol. Em Vila Nova de Gaia, a avenida da República e os arruamentos em torno da Câmara Municipal, salvo alguns curtos trechos ligeiramente arborizados, padecem do mesmo problema.

As cidades não podem continuar a ser desenhadas apenas para quem se desloca de automóvel. Estimular as deslocações a pé e de bicicleta é essencial para reduzir as emissões carbónicas, causadoras da crise climática. Mas para isso precisamos de criar sombras frescas através de mais arvoredo.

Por estas razões, e à semelhança do manifesto pelas árvores em todas as ruas de Lisboa, o MEL – Movimento Espaços Livres, que agrega diferentes movimentos de cidadãos do Porto e de Vila Nova de Gaia que advogam um maior investimento em áreas verdes, apela a estas Câmaras Municipais que procedam à plantação sistemática de árvores em todas as ruas. Todas é mesmo todas. Seja no centro das cidades, seja nas freguesias e bairros excêntricos. Todas as ruas devem ter árvores plantadas.

Propomos a arborização de praças relvadas ou desprovidas de qualquer vegetação, a preservação das árvores existentes nos logradouros e que, nas ruas, um em cada três lugares de estacionamento automóvel (ou o equivalente em ruas sem estacionamento) seja reservado para a plantação de árvores e espécies arbustivas e para a instalação de mobiliário urbano (mesas, bancos, cadeiras…) que convide a desfrutar e conviver no espaço público.

É certo que esta medida não poderá ser feita de forma desregrada e deverá ter em conta as espécies mais adequadas a cada rua e o seu impacto na dispersão de poluentes e arejamento da área. Mas já existem diversos estudos a nível nacional sobre as espécies mais adequadas a cada contexto, além de um imenso capital humano disposto a ajudar nesta análise e nestas escolhas, seja ao nível das associações ambientalistas, das universidades e dos movimentos de cidadãos.

O progresso não se faz só de mais aço, betão e vidro. No século XXI, modernidade significa mais qualidade de vida, mais verde, mais árvores.

 

20 de julho de 2022

MEL – Movimento Espaços Livres